quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

«Pablo Aimar pelas minhas palavras»

Olá a todos. Este título não é meu. Bom, agora é, mas é uma menção a uma iniciativa aberta, livre, a quem quiser participar, na qual se pode escrever um texto sobre Pablo Aimar para dedicar um dia mais tarde aos nossos netos. Aos filhos, netos, bisnetos, quando já nós formos história, se saber o que foi, quem foi Pablo César Aimar Giordano. Para nós, semanalmente, ou até com mais frequência, é apenas UM ORGULHO que pisa os nossos relvados. No futuro, infelizmente, poderá ser uma série de estatísticas ou ser algo mais. É nesse algo mais que quero incidir, mostrar as minhas palavras sobre Aimar, e convidar quem quiser participar a fazê-lo. Poderão saber mais informações aqui em «Pablo Aimar pelas minhas palavras» no blog do Diego Armés.

«Pablo Aimar pelas minhas palavras»


Fica aqui lançado o desafio aos nossos leitores, a fazerem as suas crónicas e a enviarem-nas para este email pablopablitoaimar10@gmail.com para serem recolhidas.

Sem mais demoras deixo a minha visão de Aimar!

«Quando era miúdo queria e o meu pai não me deixava, tanto jogar à bola, como usar o cabelo comprido.


À bola, valha-nos isso, não se perdeu nada de especial. Já quanto ao cabelo comprido, longo, «na moda», a coisa foi diferente. Sempre tive um cabelo bonito, que, de tanto estar chateado com o facto de quando o quis usar comprido não o ter podido, quando pude usei tempo demais. Não deixou de ser bonito, passou a ser mais ralo, infelizmente.


Provavelmente, o facto de ter nascido em Portugal, um país ainda a ressentir-se, quando eu nasci, da recente recepção à liberdade, com muitos vícios da falta dela, a coisa passou-se como teria que ter passado. Se tivesse nascido na Argentina, por exemplo, se calhar, porque até me considero inteligente, e dado a idade que tenho, até poderia ter sido companheiro de clube de um dos mais bonitos profissionais de futebol que vi, Pablo César Aimar Giordano. Dele, do Saviola, de tantos outros, Riquelme, Véron, sei lá quantos mais...


No meio disto fiquei com a alegria de ver esse profissional bonito. Isto parece conversa do Artur Jorge, um que não vi senão como treinador do Benfica noutros tempos, os anos 90, e não seu ponta de lança, «fazer coisas bonitas», mas é verdade. O Aimar faz coisas bonitas. Fala de forma bonita quando é interpelado, ele, que diz que até tinha vergonha de falar quando era mais novo. Se fala tão bem, porquê tanta vergonha. Joga futebol de forma bonita... calma! Ele não joga futebol, ele desfruta com uma bola e põe os outros a jogar quando não está com ela, enquanto os outros, esses sim, jogam futebol. Ele apenas concentra nele a classe, o pensamento, o lirismo, a poesia, a prosa, o piano, o violino... por vezes até o bombo, ele, que dizem já não ter pernas (o que acho que é mentira, pois ele desloca-se caminhando, e, ou não são dele, assim sendo, ou afinal são mesmo pernas). Treina, segundo diz o seu treinador, o Jorge Jesus, que tem sempre um sorriso nos lábios, reflexo dos 18 anos que transporta para aquilo que faz, a todo o instante. Creio que isto tudo junto faz dele um profissional de futebol. É capaz de não ser só isto, mas verdade seja dita que daí a eu saber bem o que é, eu que poucos chutos dei na bola em miúdo, e em graúdo é mais caneladas nos adversários e amigos que outra coisa, não posso julgar o acto a cem porcento... Gostava, mas não sei. Sei é que isso tudo, além de jogador de futebol, ou se calhar acima de jogador de futebol, o transformou aos meus olhos num ídolo. Sim, um ídolo. Porque olho para ele e vejo uma pessoa, mas daquelas a quem, aparentemente, as virtudes superam os defeitos. É possível que todos tenhamos virtudes, e certamente todos temos defeitos. O rácio entre umas e outras é que se calhar nos diferencia nos vários patamares da lembrança futura. Aimar merece ser lembrado. Provavelmente mais do que eu, ou pelo menos por mais pessoas do que eu. Ele potencia a felicidade de milhões de Benfiquistas semanalmente, há quatro anos, tempo em que vai passeando o seu ser por entre nós, nos nossos campos, que tanto recebem jogadores que maltratam a bola, como recebem artistas, em muito menor número, que a tratam bem... Aimar alegra-nos a todos, eu, porventura, apenas à minha família e aos meus amigos...


Pablo, Pablito, aquele rapaz de quem El Dios disse ser o único que lhe faria pagar um bilhete para ir à bola, Maradona, ele que esteve e está num patamar tão alto, tão alto, que quando olha para baixo vê que, afinal, Aimar está, segundo ele, ali ao seu lado e não lá em baixo como se pensava então. É verdade, Aimar está. Aimar, de quem, goste-se ou não, um dos maiores jogadores actuais, senão o maior, Lionel Messi, disse ser fã, para quem Aimar era um ídolo... Para ele e para mim. E ele, por ser também um dos maiores actualmente e, naturalmente, um dos melhores de sempre, tem conhecimento também para ser bem avalizado o comentário. Faz-me sentir que, afinal, mesmo sem ter dado assim tantos pontapés na bola, se calhar até tenho razão em sentir-me bem com o Aimar como ídolo, que acertei, que as sensações que ele provoca são boas, correctas... E joga com a minha camisola, a do Benfica.


Joga ele, joga o Saviola... Parece que eram grandes amigos, em moços (e ainda o são), quando jogavam juntos lá na Argentina, antes de se separarem e virem para a Europa, para aqui virem dar... ao meu clube... que orgulho.


E não é que me lembrei agora, assim de repente, da rabona que o Aimar fez contra o Guimarães, para o Suazo marcar após um pique de 50 metros, e do golo do Saviola contra o Porto, na Luz, no último título, 2009/10... Incrível... No meu clube.


O Saviola é um tipo assim para o tamanho do Aimar, quer a nível físico, quer a nível de talento. Era daqueles jogadores de quem os meus amigos do Porto gabavam antes de vir para o Benfica. Ele e o Aimar, naturalmente. Aliás, tudo que é daquela leva e chegou à selecção é de boa estirpe. Tenho pena que outros do calibre de ambos não tivessem também vestido a minha camisola, para lhes causar ainda mais tristeza e, assuma-se, inveja. Também lá há muitos outros argentinos, uns melhores que outros, mas nenhum ao nível do Pablito.


Acabei de coçar a cabeça... Voltei a pensar no que escrevi no início do texto, o meu cabelo. O cabelo do Aimar. Milhares, milhões de pessoas sabem que o Aimar tem um estilo anti-estilo. Além do que joga, de tão natural, de tão puro, nem o cabelo, o aspecto lhe interessa. Diz ele. Sei lá. Ele diz que só o corta quando lhe incomoda. Eu nem isso... A barba então é de meses por fazer. Não é aspecto que se compadeça com o que nos é pedido a nível de imagem no dia-a-dia, mas ao Pablo é. É-lhe distintivo, ser assim, «lanzudo».


Com que então renovou mais uma época o tal gajo que vinha para o Benfica para a reforma. Não cito nomes, para não dar tempo de antena a quem não merece. O certo é que até esse já deve ter dado a mão à palmatória, se for Benfiquista...


Aimar ajudou a fundar esta equipa. Não é o único pilar, obviamente. Luisão lá atrás parece que faz crescer todos os defesas que jogam ao seu lado... E quantos já lá passaram ao lado dele. Aimar lá no meio é o anti-eucalipto. Se o eucalipto seca tudo à sua volta, Aimar... poliniza e faz crescer, um gajo de metro e sessenta, ou pouco mais... É a tal coisa que disse atrás, os outros jogam à bola quando ele não se entretém com ela. E a coisa funciona. Só foi preciso cuidar um pouco dele quando veio. Deixaram estragar tudo, estragar, estragar, estragar e ele ia-se perdendo, os colegas iam deixando de jogar... Bom, tempos passados. Já cá está e é nosso! Veste a minha camisola. Sim, já cá está há quase 4 anos e vai ficar pelo menos mais um. É tão bom... Por mim, tirando o facto de não ser português, e isso nada invalida, merecia ficar no clube para sempre. O Figo não é embaixador do Inter de Milão? O Futre não é embaixador do AC Milan, do Atlético de Madrid? É condição sine qua non que tem que ser português para ficar para sempre por cá? Bem me parecia que não. Ele é nosso. Os que o deixaram estragar não merecem, os que o venderam, bom, é um mundo capitalista, tem que se fazer uso do dinheiro, é preciso dinheiro para comer... Se não for para nós pode ser para vocês...


O meu cabelo está talvez a precisar de um corte... A barba então... Que engraçado... Eu que não sei jogar à bola, vou-me deitar agora a pensar que poderia ter nascido na Argentina e ter sido colega do Aimar... E saberia jogar...


Depois corto.




Sei que as palavras são singelas, mas...


Obrigado Aimar»

Obrigado a todos e conto com a vossa colaboração! Todos nós vemos o Aimar à nossa maneira, só temos que contar qual é!

Márcio Guerra, aliás, Bimbosfera

P.s.- Tenho consciência que este texto e este post fogem um pouco ao que é habitual aqui no Bimbosfera, mas o Aimar merece!

1 comentário:

Manuel Oliveira disse...

Grande Aimar! Ele merece a homenagem sem dúvida.

Abraço Márcio.

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